Sabe o que eu queria agora, meu bem...?
domingo, 29 de setembro de 2013
Carioquense
Quando eu vim parar aqui eu achei tudo muito artístico. As pessoas em geral tinham um ar superior, mas ao mesmo tempo pareciam ser gentis. Não era algo arrogante, entende?! Se bem que hoje eu acho que eu tinha problemas de percepção, porque tem muita gente arrogante aqui sim e sem um pingo de delicadeza. Mas a princípio era assim que eu via. Eu fui crescendo e o planalto me deixou mais perto do céu, foi um vislumbre que só. Conheci tanta gente interessante. Interessante pra época. Estou cismada com isso, as pessoas que eu conheço aqui ainda são as mesmas. Elas deixaram de ser interessantes? Eu me desinteressei? O Victor, meu amigo, diz que essa cidade é pura poesia. Acho que é porque ele ainda está aqui há menos de 5 anos, porque há até pouco tempo eu pensava assim também. É uma cidade triste, isso eu tenho que concordar. Mas poética?! Que poesia mais falsa e barata. Poesia com prazo de validade, normalmente apodrece quando você vai compreendendo que é tudo marra de gente metida a inteligente só porque estudou a Constituição Federal inteira. Pfffffff. Pra mim, pessoas que tem "tudo" e são infelizes, são mesmo é burras. Cansei da poesia arquitetada dessa cidade nova que envelhece rapidamente em 10 anos. Cansei mesmo. Eu vejo o céu mais de perto e a princípio tudo seria mais vibrante, mas a cidade é toda cinza MESMO! Todinha. Olha, pode até ser poético, mas eu prefiro as poesias espontâneas. Lá na minha terra a poesia tá na simpatia, que aqui ainda ousam a chamar de folga. Puro recalque. A poesia branda, que não exige reconhecimento de inteligência ou instrução superior. Poesia popular, do povo mesmo, de verdade. Poesia que sabe o nome de todos que trabalham da padaria da esquina, que joga bola na praia com a pessoa que sequer conhecia. E pra conhecer só basta se apresentar, né não?! Por aqui não. Agora eu sei exatamente porque o Renato escreveu "festa de estranha com gente esquisita, eu não tô legal." É desse jeitinho. "Conhecer o vizinho do apertamento ao lado que mora aqui há 10 anos?!! Pra quê?!" Pra ter uma poesia mais franca, minha gente. Poesia de contato. Cansei de pessoas com síndrome de tinta fresca. Quero as coisas de verdade, sem maquiagem nem floreio artificial. Vou voltar pro meu lugar. Lá se a pessoa te viu uma vez na vida e te cumprimentou, todas as vezes que ela passar por você ela vai dizer pelo menos um "oi". Que absurdo, né, Brasília?! Não! Puta que pariu. Vira cidade de gente. Você não me engana com todo esse povo infeliz ganhando mais de 10mil por mês e sofrendo de depressão. Capital do país pode até ser. Quando 'cê virar cidade, eu juro que volto pra cantar um samba contigo e te dar os parabéns!
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Não é ciúme.
- Eu sou ciumento. Sinto ciúmes porque você é perfeita, qualquer cara iria querer você. Mas eu sei que a maioria iria te usar. Eu não quero que ninguém te use, e eu sei que eu não vou te usar. Eu quero te dar tudo que você merece. Eu vou te dar...
- Isso não é ciúme.
É amor.
- Isso não é ciúme.
É amor.
domingo, 20 de janeiro de 2013
Então agora será assim?
Quer dizer que todas as vezes que você for sentar para escrever sua bela e inatingível monografia sobre cabelos, você vai parar antes pra elocubrar algo sobre você? Se bem que não é de todo mal. Pelo menos serve como uma primeira marcha pra alongar os dedos e não parar mais. Da última vez até que funcionou, né?! Me parece que sim. Na verdade não tenho muito o que falar ou reclamar. Acho que já entendi o espírito da coisa. Só estou tentando desenvolver um ritual pessoal, e acho que meus devaneios blogueiros estarão inclusos. Pra variar um pouco.
É que nunca me imaginei aqui, eu sou um valete, a carta brincalhona, Julia com nome de juventude que nunca envelhece ou esquece a infância. O ponto é que às vezes é difícil pra mim entender que já tenho 21 anos. Caramba, faço 22 em maio. Nunca me imaginei aqui, sentada na cama de casal do meu irmão em um domingo chuvoso, com livros me cercando, uma caneca de café com leite, usando uma camiseta velha, um macacão e meus óculos - putz, eu sempre quis usar óculos.. agora eu uso óculos.. Acho que virei uma artista, mas não vou falar sobre isso, porque o fim da graduação me chama, e agora, deixa a arte de lado, preciso ser pesquisadora.
É que nunca me imaginei aqui, eu sou um valete, a carta brincalhona, Julia com nome de juventude que nunca envelhece ou esquece a infância. O ponto é que às vezes é difícil pra mim entender que já tenho 21 anos. Caramba, faço 22 em maio. Nunca me imaginei aqui, sentada na cama de casal do meu irmão em um domingo chuvoso, com livros me cercando, uma caneca de café com leite, usando uma camiseta velha, um macacão e meus óculos - putz, eu sempre quis usar óculos.. agora eu uso óculos.. Acho que virei uma artista, mas não vou falar sobre isso, porque o fim da graduação me chama, e agora, deixa a arte de lado, preciso ser pesquisadora.
domingo, 13 de janeiro de 2013
Ah.. esse layout de postagem é tudo que eu preciso.
Fui pra cozinha, sentei, abaixei a cabeça. "Não consigo escrever, Mãe, não consigo!". Algumas lágrimas caíram, sim.. poucas. Enfim.
- Não sofre, Julia, quando não conseguir escrever, vá fazer outras coisas.
- Seria lindo, Mãe, mas eu tenho prazos. Encontro com a Cyntia na segunda. Eu nem sei ao certo o que eu tenho que entregar, mas alguma coisa tem que ter.
É uma obrigação insuportável. Vocês não imaginam o quanto. A Arte Cênica é linda, minha paixão, meu vigor, minha inspiração e vontade. Me prender a moldes acadêmicos que me sufocam e me exigem caminhos que não quero andar, é péssimo.
"Vou fazer chá verde" - penso - "Tem muita cafeína e acelera o metabolismo. Abro a geladeira e lembro que fiz chá de alecrim alguns dias atrás. Bebo uns goles. É bom pra criatividade. Tô fazendo simpatia, mandinga e reza braba. Vai que funciona.
Mas eu só queria minha monografia mesmo. Conversar com alguém, explicar minhas idéias. Seria lindo. Sem ABNT tudo seria mais bonito.
Coloco a água pra ferver e separo um sachê.
- Mãe, pode tomar chá com leite?
- Chá com leite?! Nunca ouvi falar..
- Pai, pode tomar chá com leite?
- Chá com leite?! Não sei.
Volto pro meu quarto. A água já está morna lá na cozinha. Abro o google chrome. Digito "chá + leite". É, lá na Índia eles tomam pelo visto.
- Pode, Mãe! Vou tentar.
Pego um copo pequeno, encho com leite gelado. Esquento no microondas. A água do chá já ferveu. Coloco o sachê, espero um pouco e passo o sachê pro copo de leite. O leite começa a ficar menos branco. Que cor é essa? Bege? Provo um pouco. "Acho que ficaria melhor com um pouco de açúcar. Chá com açúcar eu acho péssimo, mas juntando com o leite, acho melhor adocicar." Uma colher de açúcar cristal. Mexo o leite. Olho pro chá quente, não posso colocar numa garrafa ainda, ela vai acabar ficando torta com essa quentura. Termino de misturar e vou pra sala.
- Ficou bom, Mãe. Lhe estendo o copo.
Ela praticamente ignora e vira a cabeça de leve, recusando.
- Prova, Mãe.
- Não gosto de leite.. Esse programa é muito bom. Deveria passar todo dia!
- Não é um programa, Mãe, é uma festa filmada. Por isso que é legal assim.
- Hoje eles tão falando de surf. Tem um monte de surfista aí. Acho que vai passar o filme do Zezé di Camargo depois.
- É.. podia era passar minha monografia.
O copo de leite com chá tá pela metade. Só foi interessante nos primeiros três goles. Prefiro meu chá de todo dia, sem açúcar e com água mesmo. Chá tem tudo pra ser super sem graça, mas eu acho o máximo. Depende de como você vê as coisas, né. Veja bem: água quente com gosto de alguma erva da sua preferência. Água morna com gosto de planta! Sério, isso é o máximo.
Sabe, eu sei onde eu quero chegar. Eu não sei muito bem como. Tenho algumas possibilidades mas não sei se consigo escolher.
Ai, a monografia do Albert tá tão boa. A da Natasha então, nem se fala.. poética e brilhante. Aff, eu não sou artista não. Não consigo fazer essas coisas de me explicar, de pesquisar, de usar metodologias e o caralho. Eu gosto de chá, de música. De cabelo. Eu adoro cabelos. Fico em crise de identidade por não conseguir falar sobre isso. Me assusta. Não me vejo como dona de mim. Meu existencialismo beira ao melodrama. Pós-dramático! MEU DEUS! Eu ainda não li a Bibliografia inteira. Aliás eu comecei a ler o livro do Hans e fiquei levemente de desperada (para não ser hiperbólica). Li um monte de coisa e não entendi nada. Puta que pariu, eu detesto quando isso acontece.
Meu pé tá gelado.
A Cyntia falou que eu sou cheia de verdades.
Mal sabe ela o quão equivocada ela estava.
Minto, ela falou que sou cheia de verdades na hora de escrever. E que eu chamei os espectadores de burros. Tem gente que é burra mesmo. Mas eu não tava chamando ninguém de burro não.
Quando eu explico, todo mundo entende. Eu não quero mais esse sofrimento. Quero ficar com meu namorado, ver meus amigos, aprender as coisas que eu ainda quero aprender.
Ah, ainda tenho que decorar o texto pro ensaio de amanhã às 6h.
Pânico e desespero.
Algo me diz que vai dar tudo certo aos 45' do segundo tempo.
Tudo bem.
Uma eternidade de sofrimento pra fazer algo que eu não quero, pra não sei quem.
Essas coisas que a gente não pode mudar.
Santa babaquice da humanidade.
Queria estar estudando pro concurso, queria passar logo nesse concurso. Mas é concurso de nível superiror, Julia, sem o diploma, ou seja, sem a monografia, não adianta nada passar no concurso. Merda federal! Não consigo escrever pra monografia e penso em estudar pro concurso, mas além de me sentir culpada, lembro que um não vai servir de nada sem o outro.
Eu sou um paradoxo ambulante. E detesto que me obriguem a fazer so jeito deles.
Sei lá quem são eles.
Sei lá quem eu sou.
Fui pra cozinha, sentei, abaixei a cabeça. "Não consigo escrever, Mãe, não consigo!". Algumas lágrimas caíram, sim.. poucas. Enfim.
- Não sofre, Julia, quando não conseguir escrever, vá fazer outras coisas.
- Seria lindo, Mãe, mas eu tenho prazos. Encontro com a Cyntia na segunda. Eu nem sei ao certo o que eu tenho que entregar, mas alguma coisa tem que ter.
É uma obrigação insuportável. Vocês não imaginam o quanto. A Arte Cênica é linda, minha paixão, meu vigor, minha inspiração e vontade. Me prender a moldes acadêmicos que me sufocam e me exigem caminhos que não quero andar, é péssimo.
"Vou fazer chá verde" - penso - "Tem muita cafeína e acelera o metabolismo. Abro a geladeira e lembro que fiz chá de alecrim alguns dias atrás. Bebo uns goles. É bom pra criatividade. Tô fazendo simpatia, mandinga e reza braba. Vai que funciona.
Mas eu só queria minha monografia mesmo. Conversar com alguém, explicar minhas idéias. Seria lindo. Sem ABNT tudo seria mais bonito.
Coloco a água pra ferver e separo um sachê.
- Mãe, pode tomar chá com leite?
- Chá com leite?! Nunca ouvi falar..
- Pai, pode tomar chá com leite?
- Chá com leite?! Não sei.
Volto pro meu quarto. A água já está morna lá na cozinha. Abro o google chrome. Digito "chá + leite". É, lá na Índia eles tomam pelo visto.
- Pode, Mãe! Vou tentar.
Pego um copo pequeno, encho com leite gelado. Esquento no microondas. A água do chá já ferveu. Coloco o sachê, espero um pouco e passo o sachê pro copo de leite. O leite começa a ficar menos branco. Que cor é essa? Bege? Provo um pouco. "Acho que ficaria melhor com um pouco de açúcar. Chá com açúcar eu acho péssimo, mas juntando com o leite, acho melhor adocicar." Uma colher de açúcar cristal. Mexo o leite. Olho pro chá quente, não posso colocar numa garrafa ainda, ela vai acabar ficando torta com essa quentura. Termino de misturar e vou pra sala.
- Ficou bom, Mãe. Lhe estendo o copo.
Ela praticamente ignora e vira a cabeça de leve, recusando.
- Prova, Mãe.
- Não gosto de leite.. Esse programa é muito bom. Deveria passar todo dia!
- Não é um programa, Mãe, é uma festa filmada. Por isso que é legal assim.
- Hoje eles tão falando de surf. Tem um monte de surfista aí. Acho que vai passar o filme do Zezé di Camargo depois.
- É.. podia era passar minha monografia.
O copo de leite com chá tá pela metade. Só foi interessante nos primeiros três goles. Prefiro meu chá de todo dia, sem açúcar e com água mesmo. Chá tem tudo pra ser super sem graça, mas eu acho o máximo. Depende de como você vê as coisas, né. Veja bem: água quente com gosto de alguma erva da sua preferência. Água morna com gosto de planta! Sério, isso é o máximo.
Sabe, eu sei onde eu quero chegar. Eu não sei muito bem como. Tenho algumas possibilidades mas não sei se consigo escolher.
Ai, a monografia do Albert tá tão boa. A da Natasha então, nem se fala.. poética e brilhante. Aff, eu não sou artista não. Não consigo fazer essas coisas de me explicar, de pesquisar, de usar metodologias e o caralho. Eu gosto de chá, de música. De cabelo. Eu adoro cabelos. Fico em crise de identidade por não conseguir falar sobre isso. Me assusta. Não me vejo como dona de mim. Meu existencialismo beira ao melodrama. Pós-dramático! MEU DEUS! Eu ainda não li a Bibliografia inteira. Aliás eu comecei a ler o livro do Hans e fiquei levemente de desperada (para não ser hiperbólica). Li um monte de coisa e não entendi nada. Puta que pariu, eu detesto quando isso acontece.
Meu pé tá gelado.
A Cyntia falou que eu sou cheia de verdades.
Mal sabe ela o quão equivocada ela estava.
Minto, ela falou que sou cheia de verdades na hora de escrever. E que eu chamei os espectadores de burros. Tem gente que é burra mesmo. Mas eu não tava chamando ninguém de burro não.
Quando eu explico, todo mundo entende. Eu não quero mais esse sofrimento. Quero ficar com meu namorado, ver meus amigos, aprender as coisas que eu ainda quero aprender.
Ah, ainda tenho que decorar o texto pro ensaio de amanhã às 6h.
Pânico e desespero.
Algo me diz que vai dar tudo certo aos 45' do segundo tempo.
Tudo bem.
Uma eternidade de sofrimento pra fazer algo que eu não quero, pra não sei quem.
Essas coisas que a gente não pode mudar.
Santa babaquice da humanidade.
Queria estar estudando pro concurso, queria passar logo nesse concurso. Mas é concurso de nível superiror, Julia, sem o diploma, ou seja, sem a monografia, não adianta nada passar no concurso. Merda federal! Não consigo escrever pra monografia e penso em estudar pro concurso, mas além de me sentir culpada, lembro que um não vai servir de nada sem o outro.
Eu sou um paradoxo ambulante. E detesto que me obriguem a fazer so jeito deles.
Sei lá quem são eles.
Sei lá quem eu sou.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
dgnzztt
Eu queria aprender
a fazer o bend
Queria conseguir mais
que oito arremessos
Mas me aconteceu você
Queria ler
tudo que tenho para ler
Queria estar bem-humorada
Mas me aconteceu você
Sendo toda a minha sensilibilidade
Usando aqueles pontos tortos
E com esse espanto que me encanta
Queria viajar, terminas meus estudos
Ficar com o coração tranqüilo
Mas me apareceu você
Com o nome que eu sonhei
semana passada
a fazer o bend
Queria conseguir mais
que oito arremessos
Mas me aconteceu você
Queria ler
tudo que tenho para ler
Queria estar bem-humorada
Mas me aconteceu você
Sendo toda a minha sensilibilidade
Usando aqueles pontos tortos
E com esse espanto que me encanta
Queria viajar, terminas meus estudos
Ficar com o coração tranqüilo
Mas me apareceu você
Com o nome que eu sonhei
semana passada
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
No interior do interior
Eu apenas olho fixamente para as estrelas e viajo pelas calçadas. Eu experimento cartas e eu subo as escadas com os dedos cruzados, desejando derreter aos seus pés para que dessa vez você possa escorregar nas minhas palavras. Noite passada eu tentei fazer meus lábios sangrarem a medida que você caminhou para fora da cerca e depois se sentou e me disse como o céu muda de cor. Eu sento e espero isso acontecer..
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